Descubra o seu Norte

“Se você quiser fazer Deus rir, conte a Ele seus planos”. Essa conhecida frase de Wood Allen mostra como não estamos no controle de nada e quanto sofremos tentando encaixar a realidade em nossos desejos. Podemos concluir, então, que só nos resta esperar, passivamente, por ventos benfazejos da boa sorte.

“Quem espera nunca alcança”, diz a sabedoria popular, tão legítima como a frase de Wood Allen. Quando os ventos soprarem, sejam bons ou maus, o desafio está em criar as condições para que as velas estejam içadas, prontas a conduzir a embarcação ao Norte, sem desviar-se dele.

Há, portanto, algo a ser feito, sim! Conhecer o Norte, para reconhecê-lo quando ele se apresentar. Norte é apenas um sinônimo para propósito. E isso faz a diferença entre duas palavras correlatas: destino e desígnio. Ambas são originárias do verbo determinar, mas com diferente sentido. Destino como algo determinado. Desígnio como algo a ser determinado.

Trato desse tema em meu novo livro, a ser lançado em breve. Quando vivemos o que nos está destinado, as portas se fecham, as coisas não acontecem, e a sensação é a de simples e desencantadamente dar murro em ponta de faca. Mesmo que o esforço despendido seja imenso, os resultados são parcos. Há quem culpe o destino, mas o problema é bem outro: encontra-se na ausência ou recusa ao desígnio.

Wood Allen tem razão, quando fala de planos, equivalentes a um tipo de mapa rodoviário a conduzir nossa viagem. Isso não funciona nem na vida pessoal nem nas empresas. Constate por si: planos de metas não dão em nada. Isso porque tanto a vida como os mercados se assemelham mais às dunas de areia, cuja topologia muda a cada instante. Se você não quiser se perder nelas, saiba aonde está o Norte e recorra a uma bússola ou a um GPS. Cálculos e métricas, típicos de mapas rodoviários, são inúteis para salvar a sua vida.

Desígnio – repito – é conhecer o Norte para reconhecê-lo, tão logo se apresente. E, é claro, vai ser necessária uma bússola para que não se perca a direção. Essa bússola é o coração, onde habitam valores virtuosos, morais e espirituais.

Arremato com a frase do saudoso Rubem Alves: “Não cheguei aonde planejei ir. Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu soubesse”.

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