Desça das nuvens e conheça a sua empresa!

Da janela do avião, o mundo parece viver na santa paz. Tudo tão sereno e calmo. A sublime tranquilidade parece verdadeira até o avião aterrissar e você sair pelo desembarque. À flor da terra. Aí, sim, vai se defrontar com a realidade. Nada calma nem serena ou tranquila. Existem vulcões por todos os lados.

Essa é uma boa analogia para mostrar o viés de percepção que existe entre o topo e a base na empresa. Não há nada mais distante da realidade do que a caixinha superior do organograma e a sala da diretoria, apenas para citar alguns exemplos. Observar a realidade a partir dessa perspectiva é como olhar da janela do avião. Desça para ver!

Aterrisse na pista do cliente externo

É no topo que as estratégias são delineadas, mas é na base que o jogo acontece. Negociações ocorrem três ou quatro níveis abaixo dele, e isso faz uma grande diferença. A base da pirâmide tem mais poder do que se imagina e, se carece de autoridade para decidir, tem a autonomia para impedir ou emperrar qualquer processo de transação com a qual não concorde. Funciona assim na empresa do cliente e também assim na própria empresa.

Circule na pista do cliente interno

O cliente externo muitas vezes é atendido com atraso, porque o cliente interno costuma desrespeitar o prazo acordado. Da sala da diretoria, pouco se consegue ver. Nada que ultrapasse uns 5% da realidade. E é com essa ínfima parcela do todo que muitas decisões são tomadas. Não é à toa que a maior parte dos resultados permaneça aquém do esperado.

Na terra, onde tudo acontece

É na base que tudo acontece. E a expectativa da base é que o topo desça e compartilhe da mesma realidade, não que imponha a sua visão habitualmente distorcida.

Além disso, a maior parte dos líderes não reflete muito quando define que pessoa fará determinado trabalho. Pensa mais em preencher as caixinhas do organograma, do que em aproveitar as competências existentes ou permitir que o liderado se realize no trabalho.

Vale para o cliente interno, no que se refere às competências, vale para o cliente externo, no que se refere às necessidades.

Como líder, seu papel é aterrissar. Não existem oportunidades e resultados na sala da diretoria. Se quiser conhecer o mercado de perto, vá ao mercado. Se quiser conhecer o cliente de verdade, vá ao cliente. Se quiser conhecer a equipe de trabalho de perto, desça da gávea e circule pelo convés. Faça perguntas capazes de trazer a realidade à tona, de forma que você possa oferecer a seus clientes – tanto os internos como os externos –  a ajuda essencial para a correção dos problemas e a conquista dos desafios.

Muita gente não quer abandonar a janela do avião, receosa de sujar os pés com o barro. Mas é desse barro que são feitos os melhores empreendimentos.

Tome coragem. Aterrisse! E permaneça com os pés em terra firme.

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