Da instigante descoberta do propósito

Concentrei-me, durante muitos anos, sobre o desafio de forjar um propósito, até aprender que não é algo que se produz, mas se descobre. Precisamos percorrer veredas para que o propósito se apresente e, só depois de sabermos qual é, os caminhos se abrem. Não por acaso, o título de um dos capítulos do livro “O velho e o menino” é “A seta e o alvo”, em que o propósito é o alvo, aonde queremos chegar, mas também a seta, o seu sentido.

 

Assim a seco, pode parecer confuso, mas na trama não deixa dúvidas. Escrevi de tal maneira que o leitor possa afinar o alvo e refinar-se como seta. É aí que o menino entra em cena, oferecendo-lhe uma projeção de sua própria criança. Aquela que guarda os melhores desejos e que resguarda a primeira intenção, muito antes das segundas roubarem a cena e ocuparem mais espaço do que deviam.

 

Faço, também, uma distinção entre destino e desígnio. Destino está posto, não há o que fazer. Os deterministas acreditam nele e se acomodam, apostando nos ventos favoráveis da sorte. Desígnio tem a ver com o impacto futuro das escolhas e decisões no presente. Não se trata, portanto, “do que eu farei se isso acontecer”, mas “do que acontecerá seu eu fizer isso”. Refere-se, portanto, a nossa capacidade de influenciar o devir. E de caminhar, passo a passo, deixando pegadas.

 

“São os passos que fazem o caminho”, como dizia Mario Quintana, um amigo do Velho Taful. Personagem de “O velho e o menino”, ele diz sem rodeios: “quando vivemos encerrados nas teias do destino, sem encarar o desígnio, as portas se fecham, os esforços são desmedidos, os empenhos geram desempenhos cada vez mais fracos e não se cessa de dar murro em ponta de faca”. E vai mais longe: “um grande potencial pode ser destruído e a sorte passará entre os dedos”, para concluir: “há quem chame tais infortúnios de destino, mas não passam de reiterada recusa ao desígnio”.

 

O que de pior pode nos acontecer é passar ao lado de nosso propósito sem reconhecê-lo. Caminhe, pois, com refinada atenção!

 

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