Crise de compromisso

 Sonhos não realizados, planos não implementados, projetos inacabados, objetivos não atingidos, metas não alcançadas!

“Onde foi que errei?”, esta é a pergunta que o líder abatido faz a si mesmo. “As pessoas têm informações e conhecimentos para produzirem o melhor desempenho. O que as impedem?” mais uma vez indignado, remoendo seus ressentimentos. Diante desses questionamentos, o líder imagina um rol de culpados sem enxergar as verdadeiras causas.

Em sã consciência todos querem a qualidade, a excelência, surpreender os clientes, produzir os melhores resultados. Todos os líderes desejam uma equipe de alto desempenho e não se trata de um desejo qualquer: trata-se de uma condição necessária para sobreviver e prosperar no mercado. Mas por que isso não ocorre com freqüência? Afinal, qual é o problema? Resposta: ausência de compromisso! Esta é a palavra: compromisso! Grife, sublinhe e acrescente no seu vocabulário diário.

Exemplos de baixos compromissos são fartos nas empresas: a mercadoria que não foi entregue no prazo pactuado; as especificações dos produtos que não foram cumpridas conforme o acordado; a produção que não deu conta de atender a demanda; as vendas que não preencheram a capacidade produtiva; a área de marketing que atrasou com as peças promocionais; o setor financeiro que ainda não concluiu o orçamento; as reuniões que não começam nos horários previstos; as pessoas que não se preparam para as reuniões; as metas que não são atingidas; os líderes que não envolvem os funcionários nas decisões.

Crise de compromisso! Talvez seja esse o nome da doença que ataca a maior parte das empresas. E é claro que tudo isso se traduz em baixo desempenho e baixos resultados.

O que muitos líderes ignoram é que compromisso não se obtém com técnicas e normas. Não é uma questão de informações, conhecimentos e habilidades. A base do compromisso está nos princípios ou valores humanos. E isso precisa ser aprendido pelas equipes… e principalmente pelos líderes. São os princípios e valores que garantem o compromisso.

Em primeiro lugar, um propósito. Um propósito pactuado de como deve funcionar o nosso negócio. Este consenso é o primeiro passo para promover o compromisso no ambiente de trabalho. Está aí o primeiro desafio do líder: conquistar a adesão de todos em torno de uma causa, representada pelo propósito.

Se todos estiverem de acordo com a causa, então surge o segundo princípio: a coragem. Coragem significa superar os obstáculos, romper os limites, ir além. Mas isso só acontecerá de fato se o propósito for envolvente e desafiador. O propósito funciona como um ímã, mas é a coragem que impulsiona à ação. Não existem barreiras quando a causa é nobre e o coração é grande.

O terceiro princípio está ligado à disciplina. Disciplina de manter a chama do propósito acesa, de manter a causa renovada, de não ceder à negligência e à preguiça, de fazer bem feito na primeira vez, de envolver-se para valer com os clientes e seus problemas, de escolher pelo certo, pelo ético e pelo verdadeiro ainda que seja a alternativa mais difícil.

Observe que grande parte do denominamos de qualidade, excelência e superar expectativas dos clientes não se consegue com normas e regulamentos. Consegue-se com compromisso. E compromisso depende de princípios e valores, assuntos pouco tratados nas organizações. Compromisso é uma questão de integridade! E é difícil obtê-lo quando existem incoerências que partem da própria liderança.

Está aí a dica: comece o seu próximo programa de mudança organizacional  elegendo os princípios e valores norteadores das decisões e das ações. Tudo isso vai requerer muita conversação e participação. É o investimento necessário para a conquista do compromisso e este será o maior desafio dos líderes e organizações nos próximos anos.

 

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