Converse com o seu coração

De onde vêm os nossos comportamentos e ações? De nossas atitudes. Há quem confunda comportamento com atitude, mas são conceitos distintos. O comportamento é visível, a atitude, não. Esta se situa abaixo da linha d’água, por ser uma predisposição mental de agir de determinada forma, enquanto o comportamento é a ponta do iceberg.

Então, continuemos a investigar: de onde vêm as nossas atitudes? De nossas intenções. Ambas não são visíveis. Você até pode pressupor a intenção de alguém, mas só quem a conhece, de fato, é o seu autor. Podemos acertar algumas vezes, mas é sempre muito arriscado tentar adivinhar a intenção de outra pessoa. Melhor perguntar diretamente a ela.

Sigamos, então, iceberg abaixo para compreender a nossa complexa natureza humana: de onde vêm as nossas atitudes e intenções? De nossas percepções. É importante discernir percepção de visão. Podemos ver, porém nem sempre conseguimos perceber. Muitas vezes a coisa está bem ali, diante de nosso nariz, mas a gente não nota.  A visão é um de nossos cinco sentidos, enquanto a percepção faz parte do sexto sentido.

Vamos mergulhar mais: qual a origem de nossas percepções? Resposta: o nosso modelo mental, ou, se preferir, o nosso conjunto de crenças e valores. Ufa! Parece que chegamos? Calma, ainda não. Continuemos, sem precipitações.

Existe ainda uma diferença entre crença e valor. Aquilo em que acreditamos tem efeito diferente daquilo que valorizamos. O valor tende a um posicionamento; a crença tende a um imposicionamento.  

Imposição é a tentativa de forçar os outros a encampar o conjunto de crenças aprendidas por nós. Posicionamento é nortear-se por valores conscientemente percebidos, sem nenhuma intenção de forçar os demais a adotá-los.

Tome como exemplo a forçação de barra de grupos religiosos e políticos mais orientados por suas crenças do que por seus valores. Comportamentos de ódio na sociedade surgem do conjunto de crenças, não de valores.

Crenças vêm de fora, valores vêm de dentro. As crenças afetam as percepções, desnorteiam as melhores intenções e nos fazem adotar comportamentos inadequados. E mais: sabotam os valores. Por isso, temos de ter valores sólidos para não perder o rumo e o prumo.

Assim, todo cuidado é pouco. Para manter a direção e o equilíbrio, converse com o seu coração, lá onde moram os valores.

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