Controle e flexibilidade, o equilíbrio necessário

É comum, em algumas empresas, a criação de grupos de qualidade para a criação de IN´s, ou seja, instruções normativas. Esses grupos tem o objetivo de fazer com que todos os procedimentos da empresa tenham essa tal qualidade.

Até aí, tudo bem. Afinal, que mal existe em desenvolver a qualidade em uma empresa? Mal nenhum, exceto que uma iniciativa dessas não é acompanhada de uma tomada de consciência na mesma medida. Acontece assim, fora de contexto. Como o surgimento de um corpo estranho, dentro de um organismo que não sabe direito como reagir a essa “intromissão”.

“Bons tempos aqueles!” Essa frase é muito pronunciada por funcionários com muitos anos de casa e que gostam de lembrar a época em que os controles ainda não superavam as iniciativas. Recordam, saudosos, o quanto a empresa era flexível ao permitir (e até incentivar) que cada um usasse sua própria competência pessoal para solucionar problemas que surgem no dia-a-dia, sem que fosse preciso recorrer a algum regulamento.

O controle é sempre algo fora das pessoas (normas, regulamentos, procedimentos, instruções etc.). Flexibilidade, ao contrário, é algo que decorre das competências individuais, quando as pessoas podem se expressar e usar sua criatividade para realizar seu trabalho.

Certamente, controle em excesso gera um ambiente burocrático com pouco espaço para a criatividade. Por outro lado, flexibilidade demais também não é a solução. Controles são necessários, pois sem eles os riscos do negócio excedem seus limites.

Existe, no entanto, um ponto de equilíbrio entre a flexibilidade e o controle. Como reconhecer esse ponto de equilíbrio? Faça o teste: entre as necessidades do cliente e as ordens do chefe, qual seria a escolha imediata de seus funcionários? Se pelas necessidades do cliente, então a flexibilidade está em vantagem. Se pelas ordens do chefe, então o controle está ganhando a parada.

Buscar esse equilíbrio é um dos mais importantes desafios da liderança.

 

Existe algo mais que pode ser feito pelos líderes, além da gestão do equilíbrio entre flexibilidade e controle. Esse algo mais é o significado do trabalho. Trabalhe para que ele venha à tona e seja bem definido e esclarecido.

 

Faça, agora, o teste do significado no trabalho, da mesma forma que o do equilíbrio. Coloque em xeque as suas ocupações e permita que as pessoas que trabalham com você façam o mesmo.

Comece pela seguinte pergunta: “seu envolvimento com o trabalho é para fazer algo ou para ter algo para fazer?” Se a resposta for: “é para fazer algo”, questione em seguida: “o que é esse algo que você quer fazer?”.

Se a primeira resposta não for convincente, então apele para a segunda: “por que você quer isto?”. Continue perguntando “por que” até obter uma boa resposta, ou seja, uma que tenha significado para você ou para quem se beneficia do seu trabalho.

Em resumo, se não dá para viver sem os controles, então que sejam usados. Mas não permita que eles sejam tão valorizados que impeçam as pessoas de usar suas competências, inteligências e talentos. Ou seja, garanta espaço à flexibilidade esclarecida: aquela exercida com responsabilidade quando existe um algo a mais. E esse algo a mais está no significado daquilo que fazemos.

Aposte no equilíbrio e no significado. E constate, você mesmo, a diferença!

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