Contribuir faz bem!

Fomos treinados para o egoísmo e nos tornamos craques. Filmes e estórias tentam nos convencer de egos triunfantes, paladinos implacáveis, justiceiros impassíveis movidos a força, raiva e vingança. Falsos heróis exercem poderosa influência no imaginário coletivo e é por isso que tanta gente não consegue se livrar do vício de poder e controle. Quando tenta se desintoxicar, tem a mesma sensação de abstinência vivida por um dependente químico em tratamento.

É preciso muita disciplina para vencer o vício do egoísmo. E coragem. Mas – e aí vem a boa notícia – somos dotados de cérebro empático e a empatia é que nos liga ao outro. Mal treinado na maioria das pessoas – é fato –, mas existe e pode ser acionado, como um botão que depende apenas de uma ligeira pressão para acionar um mecanismo.

Pare para pensar nas pessoas e obras que você admira! Inevitavelmente vai encontrar um líder, uma equipe e uma empresa que cuidaram muito bem de si mesmos e dos outros. E, sobretudo, tenha sempre em mente: é praticando a empatia que nos tornamos empáticos, é praticando o altruísmo que nos tornamos altruístas, é praticando a solidariedade que que nos tornamos solidários. O amor – acredite –  exige treinamento!

Diante de tragédias, nosso lado empático, altruísta e solidário vem à tona. Já se manifestou várias vezes quando necessário! É preciso que haja uma calamidade para nos comover? É preciso sofrer golpes do destino para que resolvamos arregaçar as mangas e colocar em prática nossa compaixão?

É aí que entra em cena a disciplina da contribuição, parte da virtude da entrega. É praticando a virtude que nos tornamos virtuosos, dizia Aristóteles. E a disciplina da contribuição é o exercício que começa com viver pequenos grandes gestos.

O ato mais corriqueiro e trivial pode se transformar num gesto significativo e vital: a maneira de cumprimentar, de falar ao telefone, de olhar nos olhos quando conversamos, de chamar pelo nome etc. Tudo se torna ascese, ou seja, exercício espiritual.

Disciplina é a repetição diária de pequenos grandes gestos capazes de ajudar muito mais do que grandes promessas ou espetaculares movimentos coletivos, não obstante as boas intenções envolvidas.

O fato de apostar na contribuição como disciplina e filosofia de vida e negócios pode parecer ingenuidade para quem vê o mundo como uma arena de guerra, em que cada um tenta salvar a própria pele. Mas é o contrário. Avanços e justiça social só foram possíveis porque algumas almas devotas resolveram sobrepor o bem ao mal. E tiveram, como virtuoso retorno, o próprio contentamento!

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