Aprenda com o carnaval

Você quer ver como as pessoas funcionam em tempos de crise? Vamos recorrer à memória. Lembre-se de alguma tragédia que tenha ocorrido em sua empresa, como um incêndio no depósito, dando fim às mercadorias feitas sob encomenda, de maneira que, no dia seguinte, não havia como cumprir os prazos de entrega acertados com os clientes. Desespero total, não é mesmo? Da mesma forma, aquela enchente que invadiu a loja, encharcando produtos e estragando balcões e prateleiras. Recorde como as pessoas trabalharam com afinco para resolver o problema. 

É possível que tenha havido outros acontecimentos do tipo. Quem sabe até um desfalque tão grande que deixou as contas na lona a tal ponto que faltou dinheiro para pagar os salários e o aluguel. Então, relembre como todos se entregam inteiramente, quando têm de encarar uma tragédia. Tratam de empenhar-se ao máximo porque há um desafio. Dão as costas para a hierarquia, fazendo o melhor uso de suas competências. Estão diante de um porquê, no trabalho, fazendo com que se sintam partícipes e em condições de oferecer algum tipo de ajuda. Todos vivenciam um trabalho com autonomia e podem fazer uso do poder que têm.  

Hoje, nos encontros de happy hour, no final do dia, ninguém discute o planejamento estratégico, o orçamento, o corte de gastos, o plano de metas. Essas coisas consideradas importantes pelos líderes não compõem o rol de temas abordados em conversas nas rodadas de chope. O que rola, quando compartilharam algum momento desastroso, é a lembrança da tragédia vivida, de como a superaram com o trabalho de equipe, a entrega, a emoção que ainda continua viva, mesmo depois de passados muitos anos.

A alegria do Carnaval provém dos mesmos atributos que encontramos nessas tragédias: significado (o porquê), influência (todos contam) e autonomia (cada um vive o seu talento com liberdade). Basta observar o engajamento crescente nos blocos de rua. É possível que alguns líderes desconheçam como seus colaboradores foliões vivem toda a sua criatividade e comprometimento, como nunca dantes ousaram no trabalho formal e remunerado.

O ano se inicia depois do Carnaval, é o que dizem. Então é chegada a hora! Temos muito fevereiro pela frente. Comece, então, a fazer algumas mudanças. O ano pede empenho, criatividade e participação. Atente para a última palavra: participação! Explico: quando o cinto aperta e a situação não é de ventos favoráveis, a melhor maneira de se sair bem e mudar a sorte é juntar energias, sejam elas físicas, emocionais, psíquicas, intelectuais e espirituais. Vamos precisar de todas. É justamente a junção delas que vai conquistar o comprometimento de todos.

Vamos lá, reconheça: mais do que um produto inovador e todo um conjunto de “novas” – seja uma estratégia, uma política de preços e descontos, uma tecnologia -, o que conta mesmo é o comprometimento das pessoas que compõem a sua equipe. Essa energia é sempre o melhor recurso, mais ainda em tempos bicudos. Mas vale lembrar: tanto a energia como o comprometimento só se consegue por meio da participação. A mesma que está, naturalmente, presente e se manifesta nas tragédias e carnavais.

Faça da crise o incêndio, a enchente, o desfalque, pois tragédias são libertadoras de talentos e do jeito amarrado de trabalhar. Ou, se preferir, faça da crise um bom Carnaval, com alegria e tudo! 

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