Aonde mesmo você quer chegar?

Sonho é diferente de propósito e propósito é diferente de objetivos e metas. É bom que se esclareça. Objetivos e metas possuem uma dimensão no tempo, ou seja, trata-se de algo a ser atingido amanhã, na próxima semana ou mês, no ano que vem ou ao longo de um quinquênio.

Mesmo o objetivo é distinto de meta, porque o primeiro é qualitativo e a segunda, quantitativa, porque sempre se expressa via cifra, ao contrário do objetivo. Ambos, no entanto, tendem a ser bem definidos, limitados e temporais.  São mais da natureza do aqui.

Objetivos e metas correm o risco, mais comum do que se imagina, de serem definidos com base na falta em vez de na farta (ver o segundo desígnio do livro “O Velho e o Menino”).

A definição com base na falta instiga o medo de fracassar e a dúvida sobre a capacidade de atingir o proposto. A ansiedade causada por objetivos e metas funciona como um tipo de autossabotagem que drena, inexoravelmente, a energia necessária para que sejam atingidos. Exige muito esforço e o estresse é certo, pois objetivos e metas quase sempre se repetem, transformando-se em rotinas, com todo o desencanto que tal mesmice provoca.

O propósito é mais amplo, profundo e atemporal. É da natureza do acolá. Quando definido conforme os desígnios compartilhados no livro “O Velho e o Menino”, parte de um desejo proveniente da farta, portanto com outra qualidade de energia e força. Ele próprio é imbuído de um querer inadiável e tem como desígnio a busca de um poder capaz de sustentá-lo.

Compreenda que objetivos e metas são alvos a alcançar. Um propósito, tanto alvo como seta, é, ao mesmo tempo, o ponto de chegada – até pode ser traduzido por objetivos e metas decorrentes – e, irremediavelmente, também o trajeto da seta.

Agora, sim, fica fácil compreender a diferença entre sonho e propósito. O sonho é o alvo inalcançável. Mesmo que se origine em bons desejos, não há seta que tope a empreitada de romper a fronteira do impossível. A menos que o transformemos em propósito, sustentado pelos desígnios compartilhados no livro.

Finalizo, lembrando de uma frase de Henry David Thoreau: “Se já construístes castelos no ar, não te envergonhes deles: estão onde deviam estar. Agora, constrói seus alicerces”.

Bons sonhos, portanto! E todo o cuidado com os alicerces.

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios*