Ano novo, alegria nova

Desejo a você alegria, nesse novo ano!

O meu desejo, apenas, não vai dar conta – já aviso, sem rodeios. O que virá depende da qualidade do seu passo. Se caminhar como turista, você provavelmente vai passar por ela sem perceber. A alegria não acontece para quem está distraído. Ela é assim mesmo, delicada, exige a nossa atenção. A pressa, típica do turista, é a inimiga número um da alegria. Ela pede calma e um estado de espírito que lhe dê lugar, o espaço imprescindível para que se manifeste. Por isso, prefere os peregrinos, esses, sim, capazes de reconhecê-la.

Desejo-lhe alegria! Mas saiba que alegria gosta de ser chamada pelo nome, mesmo que seja o José, da portaria, ou a Francisca, da copa. Ama, também, cumprimentos: bom dia, boa tarde, boa noite. A alegria parece ser muito exigente, mas as vezes se contenta com um leve aceno ou um simples olhar. Na verdade, o que ela gosta mesmo é de consideração. Se até a plantinha da varanda tem esse mesmo anseio, imagine o José, a Francisca, o João.

Outra coisa de que a alegria estima é gratidão. Ela fica toda feliz quando você agradece. E não apenas os grandes favores, sei que a esses você manifesta seu agradecimento, mas aqueles pequenos e quase imperceptíveis, de tão singelos e corriqueiros, como a delicadeza de alguém que lhe traz um copo d’água ou lhe oferece ajuda com as compras no elevador.

Tem gente que acha a alegria uma raridade, algo que acontece de vez em quando, em efêmeros e grandiosos momentos felizes. Para essa gente, a alegria é uma exceção. O resto é a realidade, nua e crua. Tal percepção é muito comum entre os turistas, acostumados a procurar a alegria onde ela não se encontra. Mas está onde sempre esteve e não é ela que passa por nós, somos nós que passamos por ela, sempre, contudo, que seja com andar de peregrino. É quando ela se apresenta, luminosa, diante da atenção, da consideração e da gratidão.

Eu lhe desejo alegria e existem mais coisas pelas quais a alegria adora dar o ar de sua graça. Ela gosta muito quando você manifesta solidariedade e pensa no bem-estar dos outros. Da compaixão, acredite, ela não arreda pé. E ama quando você se apresenta com sua face verdadeira, sem máscaras e couraças protetoras, exibindo toda a sua vulnerabilidade.

Talvez por ser coisa de criança, no fundo no fundo o que ela mais aprecia é reconhecer a criança que você mantém viva. E que se reaviva todas as vezes em que você se alegra.

Nesse ano novo, eu lhe desejo alegria! E sei que a reconhecerá por onde quer que, peregrinamente, ande.

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