Abaixo a mania de atraso

Nunca compreendi muito bem os retardatários. Com mania de pontualidade, sempre costumo chegar aos encontros mais cedo do que o combinado. Não pretendo me enaltecer por isso. O que desejo é compartilhar a minha indignação e lançar algumas hipóteses sobre os impontuais contumazes, na tentativa de compreendê-los e, quem sabe, ajudá-los.

Imprevistos acontecem, é claro, mas não têm a ver com o assunto, aqui. Duvida? Examine o seu grupo de trabalho e verá que os retardatários são sempre os mesmos, ou seja, parece que os imprevistos acontecem só para eles.

Para os retardatários contumazes, atrasar pode se uma maneira de chamar a atenção, porque qualquer uma parece boa para os carentes. Alguns leitores talvez questionem tal subterfúgio. Lembra a atitude das crianças que preferem transgredir ou levar uns petelecos a passar desapercebidas. Querem que sua existência seja notada, não ignorada

Ainda existe, também, quem acredite na máxima “falem mal, mas falem de mim”. Embora não seja a melhor reputação a conquistar, para o retardatário contumaz é melhor do que nada. Ele passa a fazer parte da pauta de reclamações dos demais e é isso que lhe interessa.

Atrasar-se é também um tipo de exercício de poder. Se o retardatário ocupa uma posição de liderança, o mau uso do poder é explícito. Deixa claro quem manda e quem pode abusar, deixando os demais na espera submissa. Se o retardatário não ocupa uma posição de liderança, ainda assim é capaz de desencadear uma reação emocional que lhe dá uma falsa sensação de poder.

Outra hipótese é a imagem de ocupado que a retardatário passa, como se a sua agenda e prioridades fossem mais importantes do que as dos demais.

A relação de hipóteses pode suscitar a impressão de que sejam conscientes. Não é bem esse o caso. Muitos atrasados contumazes sequer compreendem do que se trata. Permanecem inconscientes de seus comportamentos e da repercussão desses no grupo. Bom seria se fizessem contato com esse “ponto cego” e tomassem consciência de tal déficit de comportamento e de educação social. Este artigo pode bem ser uma ajuda a eles, caso leiam com atenção e reflitam a respeito. Dispostos, claro, a mudar de atitude.

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