A maior de todas as crises

Qual é o maior problema que você enfrenta em sua empresa? Talvez arrisque transferir a culpa para a crise, devido à atual conjuntura, mas sabemos muito bem que o maior transtorno com o qual você se defronta tem nome e se chama comunicação.

Pare, pense e constate.

Vamos aprofundar um pouco mais o significado dessa palavra tão poderosa, cujos efeitos podem causar danos mais graves do que a propalada crise. Comunicação tem lá suas graduações. A primeira delas é a de transmitir uma mensagem. Para isso, basta um emissor, um interlocutor, a mensagem e o meio. Simples assim! Mas não funciona na maioria das vezes. É algo mais complexo. E não por defeitos na mensagem, no meio, no emissor ou no interlocutor. Os problemas de comunicação não residem nos fatores objetivos.

Para compreender um pouco mais porque ela é seu maior problema, vamos para outra graduação. Comunicação pode também ser compreendida como tornar algo comum a todos. E aí as coisas começam a complicar, porque o que é comum não vale para todos, de maneira homogênea, dado o repertório de vida que cada um traz consigo e que inclui o conjunto individual de crenças e valores. O exercício de transmitir uma mensagem, ação simples de comunicação, começa a se tornar complexo.

A complicação se aguça ainda mais quando avançamos para a terceira graduação. Avalie o quanto a comunicação pode sofrer danos por conta de relacionamentos mal resolvidos. Conflitos velados, rancores contidos, ressentimentos não declarados afetam consideravelmente a qualidade da comunicação.

Há alguns anos, conduzi uma sessão de trabalho para integrantes de uma rede de franquia que vivia um alto nível de conflito entre o franqueador e os franqueados. O encontro aconteceu em uma grande sala de hotel.  Não havia o que assegurasse um transcorrer positivo. As pessoas reclamavam do som o tempo todo, trocávamos os microfones e, por mais que tentássemos, nada resolvia. Tudo indicava que seria um fracasso, não fosse a ideia de separar o grupo em pequenas turmas, para que o diálogo fosse direto, sem interferência de microfones e amplificadores. Nessas rodas de conversa, o franqueador pode ouvir com tolerância o desabafo dos franqueados. Escutou os vários grupos, acatou as reclamações e, depois, sabe o que aconteceu? Continuamos todos na mesma sala, com os mesmos equipamentos de som, mas sem nenhuma reclamação. E o evento, que se estendeu por mais quatro dias, foi um grande sucesso.

Comunicação é muito mais do que a qualidade da mensagem e do meio, apenas fatores objetivos. É preciso considerar, também e até principalmente, os fatores subjacentes. E que não podem ser ignorados, para garantir a fluidez necessária ao surgimento das melhores ideias e decisões.

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