A fonte do melhor conselho

Um jovem compositor, diz a lenda, foi consultar Mozart em busca de recomendações para desenvolver seu talento.

– Eu o aconselho a começar com coisas simples – disse Mozart. – Canções, por exemplo.

– Mas você já compunha sinfonias quando era criança! – retrucou seu interlocutor, com estranheza.

– É verdade. Mas eu não precisei pedir indicações a ninguém sobre como desenvolver meu talento.

É claro que conselhos podem ajudar, mas nada substitui a própria intuição. A questão é que às vezes ela é uma voz tão baixinha que a gente nem escuta. Outras vezes, parece tão atrevida que preferimos ignorar. Em certas circunstâncias, ela é até audível, mas se perde na profusão de tantas vozes dissonantes. De tão combalido e combatido, deixamos passar, então, o verdadeiro chamado. E nada é mais triste do que ignorar o chamado quando ele se apresenta.

A intuição é um dom, que todos temos. A diferença entre nós está no fato de que alguns a escutam e valorizam, outros não a consideram, dado o seu caráter empírico e abstrato. Muitos desses são adeptos do racionalismo.

O racionalismo, é bom lembrar, foi a mais influente moda intelectual da Europa. Seu principal representante, o francês René Descartes, era filósofo, físico e matemático. Para os racionalistas, só tem validade aquilo que se explica à luz da razão e da lógica; tudo o mais não passa de devaneio. É preciso, portanto, ter provas científicas para atestar determinados fenômenos, caso contrário eles não passam de pueris divagações sem nenhuma importância.

Nem é preciso dizer que o pensamento intuitivo não goza de boa fama entre os pensadores cartesianos, termo inspirado em Descartes.

A corrente filosófica racionalista, na época, foi posta em xeque por outra, a denominada empirismo. O termo foi tomado de maneira jocosa, para definir tudo o que possa ser considerado dispensável, por ser inútil. De nada serve, se a ciência não explica. Mas aí há de se lembrar Blaise Pascal, também francês, filósofo, físico e matemático. Ele dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Nem lá, nem cá. Sem extremos. O fato é que uma das razões do coração é a intuição. Mesmo que não saibamos porque, intimamente nos remete aos melhores conselhos.

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