“A falta de sentido cria uma porção de tarefas sem significado.”

Ao deparar-me com essa frase do livro Metanoia, me veio à mente o velho impasse entre duas áreas, a comercial e a financeira. Coisas da velha economia. O gerente de uma, versus o da outra.  Ambos com agendas, percepções e interesses desalinhados.

 

O embate entre as áreas chegou ao limite do folclórico. O gerente comercial gosta de gastar dinheiro para promover produtos e serviços e conquistar clientes. O gerente financeiro zela pelo orçamento, fica de olho nas responsabilidades fiscais e no retorno sobre os investimentos; prefere, então, fazer cortes nos sonhos e desejos do comercial. Objetivos com sentidos opostos. Esse antagonismo, em algumas empresas, já avançou para o conflito pessoal e aberto.

 

Na velha economia, que também representava a era do especialista, o impasse entre comercial e financeiro tinha suas razões. Funcionava assim: o responsável pela área comercial tinha de ser um especialista em negócios, com formação em marketing e vendas, além de habilidades de negociação e, se não houvesse nada disso em seu currículo, bastaria que fosse bom de lábia para conquistar a vaga. Claro, desde que manifestasse certo arrojo e extroversão para preencher o arquétipo do comercial.

 

O perfil do financeiro era outro. Ao lado da formação em finanças e contabilidade, tinha de conhecer recursos de informática e, se nada disso constasse em seu currículo, deveria ser reservado como aquele guardião da chave do tesouro ao qual apenas o rei tem acesso. Era preciso que fosse introspectivo e sisudo para representar o arquétipo do financeiro.

 

A Nova Economia chegou, dentre outras coisas, para romper com esses hilários e às vezes cínicos quadradinhos organizacionais, pois o máximo que conseguem é restringir o campo de ação desses profissionais que são mais, muito mais, do que apenas suas caricatas especializações. Até porque, quem tem vocação para fazer a mesma coisa a vida inteira são os insetos. Seres humanos podem e devem, vez e outra, trocar os chapéus.

 

Eis uma boa dica para fazer com que o trabalho de ambos seja revestido de sentido: incentivar o comercial e o financeiro a trocar de chapéus dois dias por mês. O financeiro terá a oportunidade de vivenciar o ponto de vista do comercial, ao mesmo tempo em que o comercial tem a oportunidade de experimentar a perspectiva do financeiro.

 

A princípio, isso pode parecer estranho, mas imagine quanto essa experiência pode significar em termos de empatia, visão sistêmica e qualidade nas relações.

 

As especializações podem ser diferentes, mas só serão complementares e sinérgicas se tiverem o mesmo sentido e significado.

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