A eterna criança, sempre entre nós!

Causa danos quem sofre danos. Não por acaso, portanto, a criança ferida rebela-se contra tudo e todos. Ameaçada, reage. E quanto mais reage, mais se fere. Para lidar com o mundo que lhe foi imposto, torna-se combativa e ofensiva. Para ela, o mundo é uma arena de guerra.

É assim também com a criança trapaceada, aquela que foi seduzida e enganada, em sua inocência. A partir daí, deixa de confiar. E, sem a confiança, torna-se adulta antes do tempo, temerosa da intimidade e de firmar vínculos. Para sobreviver, desenvolve mecanismos que fazem com que seja maliciosa e astuta. Afinal, para ela, o mundo é uma mina de recursos esgotáveis, competitivo e adverso.

Curada das feridas e trapaças, recupera o olhar ingênuo de quem vê tudo que a cerca pela primeira vez. A criança inocente revive com a sua curiosidade e avança, na deslumbrante descoberta de novos mundos. Para ela, existem oásis no deserto.

Agora, diante dos oásis, acredita que pode apostar em seus sonhos, livre do adulto que a assolava. A criança engenhosa caminha a passos firmes. Descobre as inteligências que compõem a sua caixa de ferramentas para arquitetar e construir. O mundo já não lhe parece ameaçador, mas um ponto de encontro com outras pessoas.

Tudo é enlevo e encantamento para a criança brincalhona que constata a existência do talento, em si mesma. Substitui a caixa de ferramentas pela caixa de brinquedos e o mundo passa a ser um lugar recreativo, onde é possível pintar o sete e viver com alegria. Um verdadeiro atelier de arte.

A criança divina surge quando descobre a sua alma e, nela, o seu dom. Envolve-se com outras crianças, do mesmo jeito que o choro do recém-nascido, no berçário, desperta o choro de todos os outros bebês. Para ela, o mundo é um espaço de aconchego e solidariedade.

Finalmente, delineia-se a eterna criança, aquela que sempre existe e vive, quando o amor ocupa o espaço antes tomado pelo medo. Nesse momento, o mundo se transforma em um jardim supremo, feito de cores e flores, onde tudo pulsa e vibra. Ou seja, como tem de ser e, verdadeiramente, é!

Arte: Gildásio Jardim

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