A escolha é sua: destino ou destinação?

Há quem compreenda destino como algo independente de nossos planos, vontade ou capacidade. Os antigos gregos acreditavam que as três irmãs fiandeiras decidiam o destino de uma pessoa, ao longo do fio da vida, do amor e do poder. Uma delas controlava o comprimento do fio, a outra o tecia e a terceira o cortava quando chegava ao fim. Tudo previamente determinado. Trata-se de uma metáfora da presença de uma força ou poder fora do nosso controle. Destino é, portanto, algo que está além das possibilidades de cada um de nós.

Destino não é o mesmo que destinação, embora a origem de ambas as palavras esteja no verbo determinar. Destino, como algo determinado, destinação, como algo a ser determinado. A segunda implica que temos alguma ingerência sobre o que nos acontece. Mas, para isso, precisamos estar atentos ao chamado.

Jonas é o arquétipo bíblico que recusa sua destinação. Não quer ouvir o chamado. E sua vida se torna trágica. Assim acontece conosco quando nos desviamos de nossa destinação. As portas se fecham, os esforços são desmedidos ao ponto de significar murro em ponta de faca, os empenhos geram desempenhos cada vez menores. Um grande potencial pode ser destruído e a sorte passará entre os dedos. Há quem chame tais infortúnios de destino, mas não passam de reiterada recusa à destinação.

Destino, porém, não leva necessariamente ao fracasso; pode, sim, determinar o sucesso. E talvez essa seja a sua faceta mais cruel: tanto as escolhas que fazemos como o sucesso obtido podem camuflar a nossa real destinação, o verdadeiro chamado.

Uma boa pista para encontrar a destinação ou chamado é manter a atenção focada no que estamos recusando aceitar. É o que aconteceu com Jonas, até que ele parasse, observasse e dissesse “sim” à sua destinação.

Destinação não é algo que nos seja imposto, mas algo conscientemente buscado. É quando nos sentimos no tempo certo, e em tempo, para dar a nossa contribuição ao universo, que vai nos responder com gratidão. Não há outro tempo nem outras circunstâncias nem se trata de esperar por ventos favoráveis. Nossa destinação é aqui e agora, para já! Daí decorre o milagre da sincronicidade.

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