A borboleta azul

Casulos de borboletas são estranhos. Já se deu conta disso? Nem venha me dizer que as lagartas são bonitas. Adormeceram feias, à espera da grande transformação. Sob um olhar de fora, é difícil acreditar que algo possa acontecer àquele casulo imóvel e morto. Mas ele tem uma extraordinária finalidade: proteger e assegurar a reciclagem, ou melhor e mais sublime, a metamorfose. É a vida pulsando em sua real vocação, em seu tempo.

Vai chegar uma hora em que o casulo não vai dar conta da vida que nele foi criada e pulsa, prestes a cumprir sua missão. Vai se romper, para que saia uma linda borboleta, voando livre. Pois assim é a vida! Quer respirar, voar, exercer a liberdade. E, para isso, tem de passar por metamorfoses.

Cá entre nós: ao ver uma borboleta suspensa em suas belas asas coloridas, sem nada saber do processo que a liberou – de sua existência em forma de casulo e pupa -, dificilmente acreditaríamos nesse fenômeno. Então, porque nossa fé não se estende para outros casulos, outras cascas a esconder verdadeiras, mas muito diferentes, realidades?

O casulo é a metáfora da delusão, a borboleta é a metáfora do devir. Muitas vezes apostamos mais no casulo e nele nos encapsulamos, sem acreditar na vocação que temos para a liberdade, para ir muito além de onde estamos, para ser ainda mais. Principalmente quanto o entorno negativo, com os seus zumbidos, tenta nos levar à delusão.

No fundo, no fundo, temos medo de ser belos, bons e verdadeiros e trocamos tais virtudes por uma vida embalsamada em encorpadas e rígidas zonas de conforto.  

Temos medo de ser únicos, de criar uma obra única, de viver a vocação, também única, e da graça que habita em cada um de nós.

Você acredita nisso? Mesmo? E em um devir maravilhoso à sua espera? E na lagarta que vai se transformar em borboleta? Em que você acredita? Qual é a cor da sua fé? Ela, de fato, já criou asas para voar? 

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